sábado, 15 de junho de 2024

O fracasso é um sentimento ruidoso

 


A etimologia da palavra “fracasso” vêm do italiano fracassare, que significa “destroçar”, “despedaçar”, “quebrar com estrépito”, “romper em pedaços”, “fazer grande ruído”.

O fracasso é um sentimento ruidoso.

Qual é a estrutura do pensamento, quando você constata que “não deu certo”?

Aliás, qual a sua concepção de sucesso?

Não, não. Não a crença limitada e limitante, que normalmente acompanha papéis sociais a serem encenados: A mãe, a esposa, a profissional com um cargo escrito em inglês em um documento oficial com uma foto que quase nunca parece realmente quem é. O pai, provedor dos recursos da família, o calado que suporta todas as situações para não perder a possibilidade de sustento, já que foi o eleito para segurar a maior parte das contas do lar.

Aqui não falaremos sobre a gostosa sensação de morar em um lugar confortável, pagar as contas e ter possibilidade de alimentar-se bem. Isso são direitos tão básicos quanto respirar oxigênio.

Estou falando da dimensão do prazer em ser quem se é. Da constante busca em preencher os dias daquilo que regenera a alma. Algo tão sofisticado e minucioso, que podemos chamar de propósito ou missão. Sentido da sua existência humana.

Estou falando sobre aquilo que não está determinado em um papel, entretanto, ninguém lhe tira: Sua poesia, orgasmo, sabedoria, experiências… Seu sonho!

(O sonho, não paga conta!)

Quão doloroso é estar em um lugar que te adoece?

(O sonho, não paga conta!)

Quanto do que é recebido, preenche o vazio do seu pensamento?

(O sonho, não paga conta!)

Quanto do que é recebido, é destinado para cobrir os custos de não se fazer aquilo que ama e acima de tudo, acredita?

Afinal, o que é fracasso?

Todo dia, eu desaprendo algo velho

 


E, poderia até adocicar as palavras, mas há um nível de complexidade no que diz respeito as várias microrrevoluções necessárias em um processo de individuação.
Reflito sobre o vazio que nenhuma constituição material é capaz de preencher. Ele é oco por dentro e se você conseguir acompanhar minha mente abstrata, saberá que também o é, por fora. Um estado amorfo de descontentamento, frustração e insatisfação, cada qual em seu momento oportuno e, nada disso gera culpa ou aborrecimentos. São exímias oportunidades, ainda que constantemente dolorosas, de não somente olhar, mas enxergar o que meu estado de consciência anterior, não permitia ser possível.

Tenho trabalhado muito e estudado ainda mais, todos os dias, sem final de semana, datas comemorativas ou feriados, sem cartão de ponto ou chefe que vai poder segurar as pontas quando eu estiver exausta, mas encontrando pessoas encantadas que me apoiam a descansar, ainda que esteja em ação.

A liberdade tem um preço, que não é mais caro do que o ato de não seguir aquilo que mora no meu coração.

Cuido para que a desaprendizagem seja cada dia mais honesta.

Quando vejo pessoas, sem brilho no olhar ou equilíbrio no respirar, falando incessante e desesperadamente sobre o que poderia dar certo, evitando assim, em um momento de silêncio, avaliar a realidade que está posta sobre a mesa, eu sei que eu não desejo percorrer novamente o mesmo caminho engessado, que não me permite experienciar a “ambição” de ser quem sou.

Eu não quero ter notícias de que alguém viveu o meu sonho, eu estarei lá. E, a quem ele fizer sentido, que eu possa partilhar e mostrar que sim, foi possível, - agora melhore tudo isso que está feito, temos muito a realizar!

Fazer escolhas. Criar possibilidades. Organizar o propósito e alcançar o que não se pode tocar, mas acalenta, consola e consolida em material humano a trajetória dessa experiência tão importante chamada vida!

Sensualidade como processo artístico


Apesar de fascinante, com tantos gestos, sensações e sentimentos produzidos, o corpo é um, digamos que, detalhe.

Seria simplório dizer que algo ou alguma pessoa é dotada de aspectos sensuais, tão somente pela sua aparência.

A energia primordial e vital, bem conduzida criando dimensões artísticas do Eu Sou, nutre o belo, satisfatório e altivo, porém despreocupado e criativo. Estado de graça por pertencer, ainda que momentaneamente ao corpo presente, libidinoso, consciente e confiante dos próprios pensamentos e movimentos.

É não somente sobre escutar, sentir, mas sim, ser a serpente que não teme a ação do abstrato e cria possibilidades reais de amar o visceral.

Estive refletindo sobre as dimensões das grandes obras de arte e percebo que posso inseri-las, em categorias inúmeras da sensualidade, palavra essa que fora esvaziada de sentido e propósito, mas que em sua raiz etimológica nos convida a exercitar os sentidos e a capacidade de percepção.

Até que eu sinta, o que digo, não contém efetividade e pode parecer um sentido desconexo, entretanto, sentir é condição inerente à existência humana e, toda e qualquer forma de "falsificar" o diálogo interno com as próprias demandas emocionais é um passo para o adoecimento espiritual, físico e psíquico.

As anestesias já não são eficientes. É grande a mudança da trajetória da consciência, os caminhos mais que diversificados e as possibilidades, inúmeras.

Sentir é saber como, em que momento e por qual motivo escolher e saber de si é originário.

🖤

Poesia é cura!

 


E isso não é só sobre poesia.
Zona Norte de São Paulo, toda a formação educacional em escola pública, Vila Nilo.

Eu lembro como sentia vergonha de dizer Vila Nilo e colocava nas correspondências "Jaçanã". Parecia mais nobre e era duas ruas depois. Eu queria aceitar que a linha imaginária que divide os dois bairros, mudaria algo na maneira como as pessoas poderiam me enxergar.

Ainda assim, mantive a ainda mantenho privilégios por ser reconhecida como uma mulher cis, branca.

Até 14 anos fui a CDF da turma. A educação era a única coisa valiosa que a família tinha e eu queria ler, falar e escrever sobre poesia. Mas a periferia não é educada pra ter leveza. Ela é massacrada até que não sinta mais o corpo, a mente e o espírito para cumprir demandas sociais e viabilizar boa vida aos poderosos.
Ela também é criada para consumir alimentos ruins e pagar moradias que comprometem 70% de sua renda. Os outros 30%, dividem-se em remédios para "cuidar" do pouco que sobra do corpo, e conseguir acordar no dia seguinte para dar conta de pagar a dívida do "existir". Novamente todo o trabalho vira comida ruim e moradia, que, para quem já morou de aluguel, sabe a exposição às humilhações de pessoas "proprietárias" que sugerem que estão fazendo um favor.
A propriedade é um roubo. Toda propriedade advém de uma história macabra que envolve o genocídio dos povos originários.

Aos 15 eu comecei a trabalhar e deixei de querer saber de poesia, mas eu conheci uma família que se reunia em muitos para cantar e tocar Belchior, Caetano, Legião, ir ao teatro e falar sobre o que morava dentro de nós.

A arte sempre me salvou da condição de manter os olhos vendados.

Também, na periferia, a gente presencia os colegas, conhecidos e amigos sendo levados para os becos e esquinas e logo depois sendo devolvidos para as suas famílias dentro de um caixão. As mulheres e crianças sofrendo violências inúmeras, os homens bebendo até cair...
Quando eu falo de saúde mental é disso que eu estou falando. E do quanto uma pessoa periférica, por não conhecer outro universo, consegue acreditar que é realmente assim que as coisas devem ser.

NÃO, não são e não vão.

Meio Mel, Meio Dendê

 



Viabilizar a conexão com pessoas que estejam dispostas a acolher medos e limites. Não, não é sobre despejar qualquer que seja a insegurança ou crença pétrea, mas sim, sentir segurança em poder compartilhar sentimentos abissais.

Exercitar a vulnerabilidade, às vezes, parece tão difícil quanto aprender uma equação matemática complexa, envolve dinâmicas que talvez nunca tenham sido acessadas, ainda que pensemos ter intimidade com nossas conexões.

O íntimo não está nas partes, ele é o inteiro visceral. É necessário deixar cair muitas máscaras para isso e às vezes nem mesmo muitos anos de convivência criam a possibilidade da entrega total.
Tem a vergonha. Tem o medo. Tem a suposição que distancia o diálogo sincero e honesto sobre quem sou e aquilo que desejo, de fato, transformar.

Percebo que o raso pode parecer seguro, mas ele também tem o potencial de afogar. “Inteireza” é uma construção digna de mergulhos muito profundos. Já viu as criaturas que existem no fundo do oceano? Muitas não parecem tão belas, mas se a gente observar com delicadeza, são.

Maternar a Nova Consciência


 

Cuidar da primeira hora do dia - Autorresponsabilidade


 


Hoje cedo, quando eu acordei, a memória teceu uma retrospectiva e pousou em 2020.

Não sabíamos o que seria. As ruas de São Paulo ficaram vazias, os rostos tristes e os corações apertados. O medo me abraçou por algum tempo e eu sentia a necessidade extrema de saber quais eram as notícias e inicialmente, nunca eram boas. Pisei em um processo de adoecimento emocional, como quem pisa em um rio lamacento. Por "sorte", consegui perceber a tempo que não havia um campo de ação em que eu pudesse atuar naquele exato momento e minha única opção foi concentrar todas as energias nos estudos, preferencialmente, não engessados e que poderiam me apoiar em conectar-me com a esperança que reside em mim.

Foi nessa oportunidade que percebi a importância de cuidar da primeira hora do dia: Acordar “no momento presente”, perceber a temperatura, respirar com consciência e profundamente, abençoar Ori, direcionar a atenção para as partes do corpo, perceber se está tudo bem, ouvir os barulhos disponíveis no ambiente, reparar qual pé coloquei primeiro no chão, etc. A primeira hora do dia, é um ritual que me concede calma.

Lembrei de uma aula virtual que tive com Krenak e não sei em que outro momento do mundo, eu teria essa honra e possibilidade, pude ser grata a esta situação por perceber a chance de equilibrar os pólos, filtrar as experiências e destilar delas o melhor que eu posso utilizar no aqui e agora.
Penso sempre na manutenção da calma e isso não significa “anestesiar”, pois anestesiados já somos treinados para. Todavia, ter perspicácia sobre onde investir as energias e os saberes, hoje, cristalinamente, me dá o suporte que eu preciso para lidar com as demandas recebidas. A busca é interminável, então há potência em cuidar que ela seja incessante.

Invocação da Alegria

  Busquemos caminhos e meios para sonhar alto! Voz necessária, Forma bonita, forte, potente e plena de permanecer em brilho, A Voz de todas ...