sábado, 15 de junho de 2024

A sombra te assombra?

 



Estive refletindo como é difícil lidar com o reino das sombras que acontece em nós.

"Segundo Jung a sombra revela a inferioridade e a existência de uma parte da personalidade não desenvolvida e explica que: “Nesta faixa mais profunda o indivíduo se comporta, relativamente às suas emoções quase ou inteiramente descontroladas, mais ou menos como os primitivos que não só é vítima abúlica de seus afetos, mas principalmente revela uma incapacidade considerável de julgamento moral.”

[Em um processo tão profundo como a ayahuasca, por muitas vezes, para mim, foi um encontro com meus próprios demônios. Lembro de olhar com muita admiração para as minhas mãos, que não se pareciam com as que escrevem estas linhas, e senti que poderiam me levar além do “quinto sentido”. Mãos ásperas tocando tambor debaixo de um sol escaldante que aquecia as engrenagens da Terra, Mãe, ser vivo e desejante. Tinha muita dor e pouco motivo para a esperança. Muita fome, sentimento de injustiça e solidão. Mas a Ngoma cantava mais alto que as percepções do corpo e a sua melodia me mostrou as tantas responsabilidades que havia ignorado. Compromissos esses, que em tempos remotos, assinalei com tantas outras partes da consciência do Todo e sigo cuidando para resolvê-los.]

Percebo, depois de muitas lutas internas, que não é possível tratar uma ferida com a “terapia da culpa”. O chicote não viabiliza a produção saudável da comunicação interna, não funciona. A condenação é uma ação imposta institucionalmente e o motivo é quase sempre sobre obedecer (ou desobedecer) alguém ou a alguma regra.
A “medicina de perdoar”, por aquilo que eu não dei conta de fazer melhor, seja por mim ou por outra pessoa, qualquer pessoa, compõe forças para transmutar o que eu não desejo mais ser. O próximo fator é o tempo: às vezes as coisas demoram muito mais do que gostaríamos, para serem sanadas, ainda assim, se estão sendo tratadas com constância, é certo que só de estar na busca eu já estou além do que julgava ser possível.

No dia a sombra é infinitamente maior que nós, mas à noite, ela simplesmente sucumbe. E isso é sobre abraçar a escuridão. 

Por amor, visitem as casas de cultura!

 


A maior parte das pessoas periféricas, sobretudo aquelas que conviveram com pais que só podiam pensar em comprar comida e pagar as contas, sente dificuldade em manifestar a artista interior ou o contato com a arte. Pois não parece “sério”, “próspero”, “correto” e raramente sentimos/percebemos que podemos encontrar dimensões de cura nesse ambiente. Escrevo essas linhas em plural, pois mantenho amizades da quebrada onde nasci até os dias atuais.

[Na Paróquia São Luiz Gonzaga o professor Antenor, aos meus 12 anos, disponibilizava seu tempo para ensinar violão clássico, de forma gratuita. Inicialmente, uma grande amiga me emprestou um que era do irmão dela e algum tempo depois meu pai fez um carnê nas Casas Bahia para pagar em 10 vezes. Isso faz 23 anos e o estudo era a sinfonia de número 9 do Beethoven.]

Outro ponto importante é saber que, quem está dentro dessa “esfera social”, o contato com o entretenimento é uma certeza: Programas, músicas e novelas onde o ponto central é sempre um relacionamento que não sei se há possibilidade de chamar de afetivo, tamanha é a quantidade de agressões envolvidas na proposta das histórias. Do outro lado o medo, o sensacionalismo e a adoração de uma energia externa que em algum momento do calendário, virá salvar todas as vidas.

O que eu quero dizer é que a arte está contida em tudo mas nem tudo é trabalhado para ser artístico pois quando falamos de produções das instâncias do pensamento autônomo, uma pessoa que pensa por si mesma não gera lucros.

Nutrição e abrigo são direitos humanos, nem de longe isso deveria ser o centro da nossa existência e não deveríamos ter nos abatido tanto para caber nessa estrutura.

Esse é o primeiro degrau a ser ultrapassado.

Existir não é viver. Em algum momento o vazio aparece e necessita ser suprido por outra coisa que certamente será nociva.

Caso você tenha vivenciado a distância dos movimentos e processos culturais, provavelmente não reconhece a importância, sente dificuldades em perceber as instâncias de cura que ocorrem, ou até mesmo vivencia sentimentos de culpa por investir tempo naquilo.

As Casas de Cultura em São Paulo estão realizando um trabalho lindo!

O referido é verdade, e dou fé.

 


Venho confrontando constantemente minhas hipocrisias como se fossem pessoas.

As últimas partilhas têm sido de um valor inestimável para a minha trajetória. Percebo de forma cristalina, quão frustrante é estar abaixo de uma conduta terapêutica, ou filosofia de vida de qualquer natureza, onde não há ações práticas no que tange as pequenices do dia a dia.

Um fator profundamente adoecedor é saber e reconhecer que é necessário mudar algo em si e não fazê-lo. Ao invés de alimentar, nutrir. Em vez de estudar, agir. Em troca de saber, experienciar.

Saúde mental independe de títulos e diplomas. Também não depende de aplausos ou validações. É preciso ter fé no que se vive. As respostas não estão no passado e a cura não pertence ao futuro, tudo que precisa ser movimentado corrobora com o aqui e agora.

O tanto que entrego, eu recebo e isso tem sido a fonte da compreensão do que é o amor, elemento primordial da existência. Ninguém vive sem amor e nem mesmo é possível que ele se construa de uma forma solitária.

A catarse limpa o corpo, a mente e o espírito e reprograma as células para tudo aquilo que eu nem mesmo acreditava que daria conta de fazer.

A regeneração é uma certeza natural e simples, vai acontecer. Todos os acontecimentos temperam os próximos pensamentos e consequentemente os futuros passos.
Meu corpo é projetado para morrer todos os meses.

Por hora, abro as portas para as possibilidades e o fluxo segue realizando as suas magias, todos os dias. O tempo é uma grande ilusão e a sabedoria está contida na análise dos hábitos.

Grandes ventos sopram novos caminhos, grandiosos são os ventos de Oyá.

"Comporta"

 



Hoje faltou água na rede de abastecimento da região. Quando retornou e pude abrir a torneira, o jato foi tão forte que molhou toda a pia. 

O capitalismo é treinado para produzir e incentivar a consciência de que, autocuidado é uma ação associada com a quantidade de coisas que podemos adquirir para suprirmos as faltas internas, sejam elas físicas ou não.

Mas o que o autocuidado tem a ver com a pressão da água, depois de algum tempo sem fluir livremente? 

[Minha mente funciona a maior parte do dia na relação com os símbolos e porque não dizer, tudo o que é considerado corriqueiro ou abstrato.]

Quando “entocamos” as emoções que envolvem o choro e a fala, é certeiro que em algum momento as coisas precisarão retornar ao seu curso normal e no que refere-se ao campo do sentir, o encanamento da empresa distribuidora, não irá vivenciar as percepções profundamente dolorosas que é ter a chance de expelir uma ou algumas mágoas mas a metáfora é amplamente válida.

Autocuidado não é romântico como sugestionam as tantas imagens recheadas de incensos, cristais, fogueiras e medicinas. Tem muito enfrentamento e limpeza. Por anos.

Criar disposição para o autocuidado requer algumas ou muitas doses de valentia. É poder ter condições de fazer as pazes com os próprios barulhos para conviver em harmonia com a qualidade do silêncio natural, pois, silenciar de uma forma que não seja nociva, implica em dizer ou manifestar, da melhor forma possível, o que é necessário para a manutenção da saúde física e mental.

Não é sobre deixar de adquirir ferramentas para de fato, cuidar melhor de si, mas é ter a lucidez de que nenhuma delas é capaz de estruturar inteligência emocional se não houver disponibilidade e disposição para não depender de fatores externos, pois toda somatização está abraçada a uma causa raiz. 

Evitar sentir, é engessar o amor. 
Que nossas emoções e sentimentos, não se “comportem”!

Não quero regra, nem nada!

 



Ação nutre quando há comprometimento com a satisfação, não com a regra.

O que preenche é libidinal. Dá tesão de estar, comunicar, estudar, ensinar... e TUDO que é feito através do caminho do prazer é próspero. Talvez estejamos presas em visões deturpadas da libido.

Pense em uma força sofisticada que incentiva e traz vitalidade, foi possível?

Compreender a sofisticação do tesão, nos ajuda a viver, independente do quão dificultosa e impossível possa parecer a jornada, realmente é estar em contato com tudo aquilo que anda morando em nossos sonhos.

Pensar em liberdade é viver a disciplina.

Movimento trabalhoso e contracultural, exige “investimento” constante na estrutura do pensamento. Tem que haver disposição e só há energia para abrir uma nova porta, de maneira, equilibrada, quando existe o prazer. Nesse “lugar", não há preocupação em quanto ou quando, nem mesmo o quê será recebido de volta. É sobre o desejo de servir aquilo que tem de melhor em si.

O que sua voz é capaz de fazer se você sente satisfação em falar?
O que seu corpo é capaz de produzir, seus olhos de observar, quanto progresso sua mente pode criar se há desejo, alegria e anseio em realizar qualquer atividade que seja?

O prazer é criativo, sai da esfera da performance, medo ou esforço. É viver em estado de poesia, para harmonizar as dificuldades e ainda assim, conceber o belo.


Não quero regra, nem nada.
❤

Você é feliz dentro do seu corpo?

 



Não é sobre o que pareço ou julgam, mas sobre o que sinto.

Ainda que nenhuma pessoa me elogie, toque ou valide meus pensamentos ou sentimentos.

[Andando pelo metrô, aqui em São Paulo nós temos o combinado social de “deixar a esquerda livre”. Quem está com pressa, anda pela direita. Eu caminho feito turista. Me programo para sair com antecedência e chegar na hora em que agendei um compromisso. Caminhar com calma me traz grande atividade mental e aos 17 graus das 23:33 de ontem, estive pensando sobre alguns anos atrás, 5 anos, para ser mais precisa.]


Fazer as pazes com meu corpo foi tão difícil e dolorido, enquanto processo, pois eu mentalizava fisicamente alguém que não era eu. Na adolescência, eu detestava meu quadril. A mentalidade de um tipo físico padrão eurocêntrico, povoava a minha cabeça como se parecesse errado caminhar por aí com determinados tipos de roupas que eu nem sequer sentia conforto em utilizar.
Por muito tempo, mantive a ideia de “serrar" os ossos para me encaixar nessa aparência que eu pensava ser mais atraente.
Hoje eu penso que me desagradar, para agradar os entornos é uma perda de energia sem fim. Não quero é não posso, portanto não vou.

As aprovações alheias são maneiras rasas de obter felicidade e assimilar isso foi libertador.
Não luto mais, para ser observada, sou observada pois eu luto.
E, sendo a luta um verbo, mantenho a ação!

❤

O frio me faz acordar com fome de quem transou a noite inteira

 


O frio me faz acordar com fome de quem transou a noite inteira.
Minha cabeça acordou com esse pensamento, e eu sou minha cabeça, gosto de chamá-la de Ori.
A primeira vista, me pareceu algo vulgar e, depois de tantos dias estudando sobre sexo, precisava escrever as tantas coisas que emergiram dessa consciência. Algumas delas.
Primeiro que sex.o, sadio, é nutrição e energia vital. Saúde!

Segundo que até alguns anos atrás, o frio era minha melhor estação do ano, especificamente o Outono de São Paulo, condizente com meus “pensamentos gelados” sobre não me permitir sentir e consequentemente anestesiar pensamentos, desejos, sentimentos e ações.

Terceiro, que mais uma vez, eu trago o conceito da depressão sazonal. A introspecção, o desejo de ficar reclusa, imersa em pensamentos é algo que acontece naturalmente nas regiões e estações mais frias do ano. A gente costuma beber menos água, compactuar morbidamente com a paisagem cinza e lembrar de dores e fatos que, outrora, estavam adormecidos.
No frio a gente necessita de mais energia e aqueles vinte minutos de sol, diários, recomendados pela Mãe Ciência, ficam para segundo plano ou para quando der.
Também esquecemos da hidratação, que é tão absolutamente necessária para movimentar nossos centros de poder.

Sobre o sex.o, acho interessante o fato de que algumas pessoas, sentem preguiça de praticar, durante esta época do ano, ou por conta de épocas emocionais ou relacionais.
O corpo é instrumento de aquisição de poder. Não o poder que concentra e acumula dinheiro, mas aquele que reativa as esferas da alegria em nossos corações.

No mais, recomendo as sopinhas, caldos, chás e o que mais puder nutrir e conscientizar esse portal, magnífica “máquina” orgânica a qual habitamos.

Beba água. ♥️🔥

Invocação da Alegria

  Busquemos caminhos e meios para sonhar alto! Voz necessária, Forma bonita, forte, potente e plena de permanecer em brilho, A Voz de todas ...