sábado, 15 de junho de 2024

Invocação da Alegria

 



Busquemos caminhos e meios para sonhar alto!

Voz necessária,
Forma bonita, forte, potente e plena de permanecer em

brilho,

A Voz de todas as Marias ancestrais,
Companheiras, acompanhadas de sempre termos plenas condições de habitar onde quisermos.

Conquistamos a arte do encontro-partilha-gira-desenvolvimento, movimento que reverbera e ORIenta.

Sonhar em tão alto nível, altura das plantas que sonham, insurgentes e expansivas, pois o próximo passo do propósito, sempre será dado no momento do corpo e da alma.

Sejamos e percebamos mais que matéria, a profundidade

Salários mínimos em troca da vida?

 



10 anos “formais” e 21 anos de estudos e caminhada na saúde mental e por incrível que pareça, todo o momento considerado informal acerca da possibilidade de escuta foram e são os mais intensos e apaixonantes de toda a composição do meu trabalho.

Antes de me movimentar como profissional, me movimento no mundo como pessoa e ainda que abastecida de técnicas e metodologias criteriosas para não me envolver a nível de adoecimento, nenhum processo de escuta está em sua integralidade se me valho de armaduras ao invés da compreensão e potência com que o elemento dor, nem sempre afetuosamente, interfere em minha história.

Como atravessar a dor e as coisas percebidas como injustiças, sem sucumbir ao cansaço, desânimo, às dificuldades cotidianas que volta e meia surgem nas entrelinhas dos dias, estejam eles ensolarados ou amedrontados pela cor cinza do Outono?

Como caminhar, por aí, como um corpo que até o final da era vigente, será visto como “pagão”, desobediente, problemático em suas formas, texturas, cheiros, sexualidades e psicossomáticas?

Interessante que tentam me vender entretenimento de péssima qualidade, com o nome de “arte e cultura” e me enrabam com inúmeras estruturas de violências relacionais com a intenção de fazer minguar como uma grande esquisita quando não sei opinar sobre a vida do Seu Ninguém, pois realmente isso não me interessa.

Meu corpo grita cada vez mais por urgência na calma.

Calma não significa nada além de olhar com atenção não somente para o que estamos fazendo, mas com as pessoas que estão tornando qualquer coisa possível nesse momento. O que elas estão experienciando? Quais são suas dores das quais não falam? O que escondem delas mesmas? Não para que sejamos um confessionário mas para que nos vejamos como pessoas libertas das falsas necessidades e então, o que é necessário?

O sonho. Sonho que não paga aluguel e nem comida, mas o não-sonho não paga a doença, o não-sonho a gente paga com a vida.

A mulher corpo-problema, vê problema-solução em tudo e “ninguém vai querer ela desse jeito”.

(Adicionar nesta receita, fartas pitadas de gargalhadas viscerais.)

Feito para pensar. 🌻🐝

Produção de inteligência emocional

 



[Eu estou certa, sempre e todos os acontecimentos ao meu redor, estão errados.

Só consigo me sentir impotente e fraca perante a eles, pois eu estou correta e tudo está errado. Não há o que eu possa fazer além de me sentir triste e afetada.

Os meus sentimentos e dores são mais importantes que tudo ao redor e por saber disso, espero que tudo mude, aí então, estarei feliz. A vida precisa se ajustar ao meu olhar, as pessoas precisarão pensar o que penso e então, quando tudo for como eu espero, serei profundamente feliz.”]

Essa é a lógica que estamos vivendo e ter conversas internas profundas, parece que se tornou uma tortura. Tantos recursos, tantas terapias, rituais, e substâncias sendo administradas para não olhar o núcleo de uma situação, tantas lutas e desgastes absurdos para não precisar admitir que não, tudo ser melhor não significa que precisa estar organizado segundo aquilo que eu acredito que seja o bom, justo e suficiente para todas as pessoas.

Temos uma longa trajetória interna de romantização da nossa própria bondade, de um querer interno que acolhe a todas as pessoas, exatamente por desconhecermos o que é importante para o outro. Mas de tanto importar com o que pensamos querer ou precisar, aparentemente, estamos perdendo o alcance da nossa visão em relação ao que realmente está posto. Ver o que é, como é.

Querer que seja diferente, não é trabalhar para que seja diferente, existe um abismo entre uma coisa e outra.

É doloroso olhar para isso, é sim, mas estamos vivendo há tanto tempo com tantos dedos apontados que parece ser muito fácil esquecer como voltar ao centro, ao coração e investigar a própria mudança.

Quais comportamentos nocivos eu posso olhar hoje?
Quais responsabilidades eu necessito assumir hoje?
Como o mundo deixa de ser responsável pela minha trajetória, para que eu possa tomar as rédeas das minhas decisões hoje?

O momento é de muita inteligência emocional e espiritual. Que estejamos firmes na reforma íntima e saibamos reestruturar e reprogramar as nossas percepções sobre os próximos passos!

❤️

Autolembrete

 



A cura vem de dentro, mas o que é dentro e o que é cura?
Sandice a minha, imaginar que uma única forma de observar a vida, trará toda a felicidade que meu interior deseja experimentar. Haverão momentos difíceis, haverá dor, é o que me faz humana.

Mas o que existe depois da dor, é cura?
Não posso dizer que a cura é estar ausente de qualquer problema ou preocupação que seja. As dificuldades, sendo elas, propostas expansoras da minha consciência, sempre haverão de existir, quem cura é o meu olhar, percepção, entendimento e aceitação do fato.

As coisas são o que elas são e não aceitar isso, nos empurra para um abismo chamado: “Eu queria que fosse diferente.”
Ora, não é diferente pois é como está. Aceito e faço o meu melhor.

Não há uma montanha mística, um templo mágico, uma magia xamânica, um Tarot revelador que vai caminhar os passos que precisamos percorrer e nem mesmo tomar as decisões que sabemos que temos que tomar.

Portanto, vir de dentro, pode parecer desesperador na medida que descobrimos e aceitamos a nossa responsabilidade sobre a dificuldade em que nos colocamos devido nossas ações.

O entendimento tem tempo de acontecer e sempre está acompanhando de um propósito.

A vida é bela, sim, a vida é incrivelmente bela, só precisamos apoiar uns aos outros a perceber, e nisso não cabe o convencimento, lembre sempre que a jornada é interior!

- Auto lembrete.
❤️

Nem toda inquietação precisa ser docilizada

 



Mas a aflição produz sofrimento, então, de comum acordo, vamos trabalhar aqui uma conduta terapêutica institucionalizada sobre como abrandar as questões.

O problema é a mãe, o homem, a política, vamos pensar positivo, acender incensos e comprar cristais, falar palavras bonitas e rezar para que as coisas mudem.
Vamos dar nomes aos grupos que sofrem “disso” e criar outros nomes aos que sofrem “daquilo” e criar uma drágea que tem tudo o que todo-mundo-grupo-disso necessita e quem sabe, também sirva pra todo-mundo-grupo-daquilo.

Tanta tecnologia quântica e ainda não sabemos observar em grupo, a função do átomo.
Se me oriento dentro de uma perspectiva atômica, não, eu não estou separada de nada e nem de ninguém, até mesmo daquilo que me parece repugnante.

Viver, por aí, a experiência humana de estar sempre afobada, ansiando que algo complete um vazio que nunca se preenche, independente do quanto de coisas eu consiga acumular é uma potência que me faz (propositalmente) querer ter aquilo que eu não tenho e nem mesmo preciso ou ser aquilo que eu não sou e muito menos desejo.

Mas e então, o que isso tudo significa, Luana?
Que precisamos ampliar a visão para as nossas condutas terapêuticas.
Que já está mais do que na hora de pensarmos em uma pessoa com uma dimensão espiritual, política, social e que há um emaranhado de questões quando tratamos saúde mental.
Que os métodos de 100 anos atrás, estão obsoletos se não pensam a quais mecanismos de poder uma pessoa está submetida.
Que precisamos produzir novidades e parar de repetir a docilização do corpo e do pensamento, para olhar uma família inteira vivendo nas ruas e comendo do lixo e normalizamos decência em uma situação como essa.
Significa que a minha dor não é maior que a de outra pessoa e vice-versa.
Quer dizer que não está bom e não é sobre insatisfação, mas sobre agir em exercício daquilo que pode ser diferente.

Autoestima é tipo fé!

 



mpacotaram a autoestima em frascos, caixas, adereços, procedimentos, roupas e não importa o quanto a gente teatralize a existência, o que está dentro não muda.

[Acordei lembrando da professora de geografia, na quinta série, cujo nome eu não recordo tamanho era o desespero de saber que teria de encontra-la duas vezes na semana. Todo mundo que viveu na periferia, deve ter ouvido: Essa sala é a pior da escola. Em um determinado dia, não contente em repetir como éramos uma turma horrível, trouxe o adjetivo “burros”, vocês são burros e nunca servirão para nada, eu estou aqui ganhando o meu. Apesar da minha péssima memória, o rosto dela ficou registrado, como uma fotografia do desespero de quem não consegue se conectar com a realidade de pessoas, muitas, que vão para a escola com o intuito de ter como se alimentar, fugir da violência vivenciada em casa, entre outros acontecimentos sociais, aos quais os olhos da maioria fecham-se e repetem: Mas fazer o quê, né? É assim mesmo.]

Toda pessoa periférica, às vezes demora para entender que foi atravessada por violências que comprometem a sua autoestima. Não é sobre parecer uma pessoa bonita, a beleza é um conceito determinado pela própria indústria que a vende. Mas aqui eu quero falar de fé e, jamais em defesa de uma instituição religiosa, é sobre o que reside dentro de si, em termos de propósito de vida, alma, função, localização histórica de existência.
Eu sinto que não há mais tempo, para dobrarmos os joelhos por coisas que não preenchem a alma. Se o raso também afoga, então a alternativa é mergulhar nas profundidades da situação humana, não para viver em estado de medo e sofrimentos tantos, como sugerem as mídias, mas sim, para apressarmo-nos em perguntar: Como podemos melhorar?

Pelo direito de não querer ser nada!

 


[Meu café preto, é a primeira defumação do primeiro dia de julho, um sábado, e ele sempre me apoia nas reflexões. Hoje faz anos que nosso pai partiu para outro plano de cura, estudos e trabalhos, na época em que manteve residência na Terra, gostou bastante de tomar café. Não posso deixar de evidenciar o fato de que as proporções de água para quantidade de pó eram incoerentes, preparando sempre algo que assemelhava mais com chá que outra coisa)
mas eu sempre amei o cheiro que invadia a casa nas primeiras horas da manhã.]

Não consigo lembrar de ter estímulos que me apoiassem a chegar em qualquer ambiente e explicar quem Eu Sou. Todos diziam que eu precisava ser alguma coisa que consequentemente estaria atrelada a um documento, de acordo com as normas vigentes: Filha que sai da posse de um para entrar em outro parâmetro de propriedade como esposa e que ainda precisa ser diplomada para sair da posse desse outro e virar funcionária com cargo registrado em muitos sistemas e manter a roda girando, com a gestação programada a fim de criar outra pessoa que, sem questionar, reproduzirá as mesmas funções sociais, terá os mesmos limites e obedecerá às mesmas regras. E exatamente por ser assim que eu aprendi, eu digo que quem Eu Sou não entende nada sem que me entreguem um bom motivo.

Só que eu nunca me senti parte disso e bem que eu tentei, mas em pouco tempo tudo é avassaladoramente adoecedor. Não se cura saúde mental e muito menos a física, vivenciando essa experiência como se o único sonho possível fosse a aquisição de bens materiais, títulos e contas pagas. Eu posso até sofrer de outras “espécies” de vazios, mas este, definitivamente me retiro e com muita alegria no coração, digo: Eu não sirvo pra isso! Quero ser completamente desnecessária para o mais do mesmo.

Eu não quero ser nada e ninguém que precise abdicar dos próprios desejos e necessidades para seguir atividades normativas que segundo a maioria estão produzindo felicidades mas eu só vejo doença e vazio.

Não quero.

A sombra te assombra?

 



Estive refletindo como é difícil lidar com o reino das sombras que acontece em nós.

"Segundo Jung a sombra revela a inferioridade e a existência de uma parte da personalidade não desenvolvida e explica que: “Nesta faixa mais profunda o indivíduo se comporta, relativamente às suas emoções quase ou inteiramente descontroladas, mais ou menos como os primitivos que não só é vítima abúlica de seus afetos, mas principalmente revela uma incapacidade considerável de julgamento moral.”

[Em um processo tão profundo como a ayahuasca, por muitas vezes, para mim, foi um encontro com meus próprios demônios. Lembro de olhar com muita admiração para as minhas mãos, que não se pareciam com as que escrevem estas linhas, e senti que poderiam me levar além do “quinto sentido”. Mãos ásperas tocando tambor debaixo de um sol escaldante que aquecia as engrenagens da Terra, Mãe, ser vivo e desejante. Tinha muita dor e pouco motivo para a esperança. Muita fome, sentimento de injustiça e solidão. Mas a Ngoma cantava mais alto que as percepções do corpo e a sua melodia me mostrou as tantas responsabilidades que havia ignorado. Compromissos esses, que em tempos remotos, assinalei com tantas outras partes da consciência do Todo e sigo cuidando para resolvê-los.]

Percebo, depois de muitas lutas internas, que não é possível tratar uma ferida com a “terapia da culpa”. O chicote não viabiliza a produção saudável da comunicação interna, não funciona. A condenação é uma ação imposta institucionalmente e o motivo é quase sempre sobre obedecer (ou desobedecer) alguém ou a alguma regra.
A “medicina de perdoar”, por aquilo que eu não dei conta de fazer melhor, seja por mim ou por outra pessoa, qualquer pessoa, compõe forças para transmutar o que eu não desejo mais ser. O próximo fator é o tempo: às vezes as coisas demoram muito mais do que gostaríamos, para serem sanadas, ainda assim, se estão sendo tratadas com constância, é certo que só de estar na busca eu já estou além do que julgava ser possível.

No dia a sombra é infinitamente maior que nós, mas à noite, ela simplesmente sucumbe. E isso é sobre abraçar a escuridão. 

Por amor, visitem as casas de cultura!

 


A maior parte das pessoas periféricas, sobretudo aquelas que conviveram com pais que só podiam pensar em comprar comida e pagar as contas, sente dificuldade em manifestar a artista interior ou o contato com a arte. Pois não parece “sério”, “próspero”, “correto” e raramente sentimos/percebemos que podemos encontrar dimensões de cura nesse ambiente. Escrevo essas linhas em plural, pois mantenho amizades da quebrada onde nasci até os dias atuais.

[Na Paróquia São Luiz Gonzaga o professor Antenor, aos meus 12 anos, disponibilizava seu tempo para ensinar violão clássico, de forma gratuita. Inicialmente, uma grande amiga me emprestou um que era do irmão dela e algum tempo depois meu pai fez um carnê nas Casas Bahia para pagar em 10 vezes. Isso faz 23 anos e o estudo era a sinfonia de número 9 do Beethoven.]

Outro ponto importante é saber que, quem está dentro dessa “esfera social”, o contato com o entretenimento é uma certeza: Programas, músicas e novelas onde o ponto central é sempre um relacionamento que não sei se há possibilidade de chamar de afetivo, tamanha é a quantidade de agressões envolvidas na proposta das histórias. Do outro lado o medo, o sensacionalismo e a adoração de uma energia externa que em algum momento do calendário, virá salvar todas as vidas.

O que eu quero dizer é que a arte está contida em tudo mas nem tudo é trabalhado para ser artístico pois quando falamos de produções das instâncias do pensamento autônomo, uma pessoa que pensa por si mesma não gera lucros.

Nutrição e abrigo são direitos humanos, nem de longe isso deveria ser o centro da nossa existência e não deveríamos ter nos abatido tanto para caber nessa estrutura.

Esse é o primeiro degrau a ser ultrapassado.

Existir não é viver. Em algum momento o vazio aparece e necessita ser suprido por outra coisa que certamente será nociva.

Caso você tenha vivenciado a distância dos movimentos e processos culturais, provavelmente não reconhece a importância, sente dificuldades em perceber as instâncias de cura que ocorrem, ou até mesmo vivencia sentimentos de culpa por investir tempo naquilo.

As Casas de Cultura em São Paulo estão realizando um trabalho lindo!

O referido é verdade, e dou fé.

 


Venho confrontando constantemente minhas hipocrisias como se fossem pessoas.

As últimas partilhas têm sido de um valor inestimável para a minha trajetória. Percebo de forma cristalina, quão frustrante é estar abaixo de uma conduta terapêutica, ou filosofia de vida de qualquer natureza, onde não há ações práticas no que tange as pequenices do dia a dia.

Um fator profundamente adoecedor é saber e reconhecer que é necessário mudar algo em si e não fazê-lo. Ao invés de alimentar, nutrir. Em vez de estudar, agir. Em troca de saber, experienciar.

Saúde mental independe de títulos e diplomas. Também não depende de aplausos ou validações. É preciso ter fé no que se vive. As respostas não estão no passado e a cura não pertence ao futuro, tudo que precisa ser movimentado corrobora com o aqui e agora.

O tanto que entrego, eu recebo e isso tem sido a fonte da compreensão do que é o amor, elemento primordial da existência. Ninguém vive sem amor e nem mesmo é possível que ele se construa de uma forma solitária.

A catarse limpa o corpo, a mente e o espírito e reprograma as células para tudo aquilo que eu nem mesmo acreditava que daria conta de fazer.

A regeneração é uma certeza natural e simples, vai acontecer. Todos os acontecimentos temperam os próximos pensamentos e consequentemente os futuros passos.
Meu corpo é projetado para morrer todos os meses.

Por hora, abro as portas para as possibilidades e o fluxo segue realizando as suas magias, todos os dias. O tempo é uma grande ilusão e a sabedoria está contida na análise dos hábitos.

Grandes ventos sopram novos caminhos, grandiosos são os ventos de Oyá.

"Comporta"

 



Hoje faltou água na rede de abastecimento da região. Quando retornou e pude abrir a torneira, o jato foi tão forte que molhou toda a pia. 

O capitalismo é treinado para produzir e incentivar a consciência de que, autocuidado é uma ação associada com a quantidade de coisas que podemos adquirir para suprirmos as faltas internas, sejam elas físicas ou não.

Mas o que o autocuidado tem a ver com a pressão da água, depois de algum tempo sem fluir livremente? 

[Minha mente funciona a maior parte do dia na relação com os símbolos e porque não dizer, tudo o que é considerado corriqueiro ou abstrato.]

Quando “entocamos” as emoções que envolvem o choro e a fala, é certeiro que em algum momento as coisas precisarão retornar ao seu curso normal e no que refere-se ao campo do sentir, o encanamento da empresa distribuidora, não irá vivenciar as percepções profundamente dolorosas que é ter a chance de expelir uma ou algumas mágoas mas a metáfora é amplamente válida.

Autocuidado não é romântico como sugestionam as tantas imagens recheadas de incensos, cristais, fogueiras e medicinas. Tem muito enfrentamento e limpeza. Por anos.

Criar disposição para o autocuidado requer algumas ou muitas doses de valentia. É poder ter condições de fazer as pazes com os próprios barulhos para conviver em harmonia com a qualidade do silêncio natural, pois, silenciar de uma forma que não seja nociva, implica em dizer ou manifestar, da melhor forma possível, o que é necessário para a manutenção da saúde física e mental.

Não é sobre deixar de adquirir ferramentas para de fato, cuidar melhor de si, mas é ter a lucidez de que nenhuma delas é capaz de estruturar inteligência emocional se não houver disponibilidade e disposição para não depender de fatores externos, pois toda somatização está abraçada a uma causa raiz. 

Evitar sentir, é engessar o amor. 
Que nossas emoções e sentimentos, não se “comportem”!

Não quero regra, nem nada!

 



Ação nutre quando há comprometimento com a satisfação, não com a regra.

O que preenche é libidinal. Dá tesão de estar, comunicar, estudar, ensinar... e TUDO que é feito através do caminho do prazer é próspero. Talvez estejamos presas em visões deturpadas da libido.

Pense em uma força sofisticada que incentiva e traz vitalidade, foi possível?

Compreender a sofisticação do tesão, nos ajuda a viver, independente do quão dificultosa e impossível possa parecer a jornada, realmente é estar em contato com tudo aquilo que anda morando em nossos sonhos.

Pensar em liberdade é viver a disciplina.

Movimento trabalhoso e contracultural, exige “investimento” constante na estrutura do pensamento. Tem que haver disposição e só há energia para abrir uma nova porta, de maneira, equilibrada, quando existe o prazer. Nesse “lugar", não há preocupação em quanto ou quando, nem mesmo o quê será recebido de volta. É sobre o desejo de servir aquilo que tem de melhor em si.

O que sua voz é capaz de fazer se você sente satisfação em falar?
O que seu corpo é capaz de produzir, seus olhos de observar, quanto progresso sua mente pode criar se há desejo, alegria e anseio em realizar qualquer atividade que seja?

O prazer é criativo, sai da esfera da performance, medo ou esforço. É viver em estado de poesia, para harmonizar as dificuldades e ainda assim, conceber o belo.


Não quero regra, nem nada.

Você é feliz dentro do seu corpo?

 



Não é sobre o que pareço ou julgam, mas sobre o que sinto.

Ainda que nenhuma pessoa me elogie, toque ou valide meus pensamentos ou sentimentos.

[Andando pelo metrô, aqui em São Paulo nós temos o combinado social de “deixar a esquerda livre”. Quem está com pressa, anda pela direita. Eu caminho feito turista. Me programo para sair com antecedência e chegar na hora em que agendei um compromisso. Caminhar com calma me traz grande atividade mental e aos 17 graus das 23:33 de ontem, estive pensando sobre alguns anos atrás, 5 anos, para ser mais precisa.]


Fazer as pazes com meu corpo foi tão difícil e dolorido, enquanto processo, pois eu mentalizava fisicamente alguém que não era eu. Na adolescência, eu detestava meu quadril. A mentalidade de um tipo físico padrão eurocêntrico, povoava a minha cabeça como se parecesse errado caminhar por aí com determinados tipos de roupas que eu nem sequer sentia conforto em utilizar.
Por muito tempo, mantive a ideia de “serrar" os ossos para me encaixar nessa aparência que eu pensava ser mais atraente.
Hoje eu penso que me desagradar, para agradar os entornos é uma perda de energia sem fim. Não quero é não posso, portanto não vou.

As aprovações alheias são maneiras rasas de obter felicidade e assimilar isso foi libertador.
Não luto mais, para ser observada, sou observada pois eu luto.
E, sendo a luta um verbo, mantenho a ação!

O frio me faz acordar com fome de quem transou a noite inteira

 


O frio me faz acordar com fome de quem transou a noite inteira.
Minha cabeça acordou com esse pensamento, e eu sou minha cabeça, gosto de chamá-la de Ori.
A primeira vista, me pareceu algo vulgar e, depois de tantos dias estudando sobre sexo, precisava escrever as tantas coisas que emergiram dessa consciência. Algumas delas.
Primeiro que sex.o, sadio, é nutrição e energia vital. Saúde!

Segundo que até alguns anos atrás, o frio era minha melhor estação do ano, especificamente o Outono de São Paulo, condizente com meus “pensamentos gelados” sobre não me permitir sentir e consequentemente anestesiar pensamentos, desejos, sentimentos e ações.

Terceiro, que mais uma vez, eu trago o conceito da depressão sazonal. A introspecção, o desejo de ficar reclusa, imersa em pensamentos é algo que acontece naturalmente nas regiões e estações mais frias do ano. A gente costuma beber menos água, compactuar morbidamente com a paisagem cinza e lembrar de dores e fatos que, outrora, estavam adormecidos.
No frio a gente necessita de mais energia e aqueles vinte minutos de sol, diários, recomendados pela Mãe Ciência, ficam para segundo plano ou para quando der.
Também esquecemos da hidratação, que é tão absolutamente necessária para movimentar nossos centros de poder.

Sobre o sex.o, acho interessante o fato de que algumas pessoas, sentem preguiça de praticar, durante esta época do ano, ou por conta de épocas emocionais ou relacionais.
O corpo é instrumento de aquisição de poder. Não o poder que concentra e acumula dinheiro, mas aquele que reativa as esferas da alegria em nossos corações.

No mais, recomendo as sopinhas, caldos, chás e o que mais puder nutrir e conscientizar esse portal, magnífica “máquina” orgânica a qual habitamos.

Beba água. ♥️🔥

 


Cumprir o combinado do sentimento, energia coração.
Ser presente, por desejar estar presente e não por ter racionalizado contratos de serviço.

Não somos treinadas para nos relacionar com leveza, entretanto, sempre pensei que relacionamentos devem ser construídos para ser um lugar pra descansar no mundo e também por conta da forma como estamos construindo ele.

Como contextualizar o afeto entre cláusulas e punições? Não sinto que caiba, combinam e nem mesmo sejam partes opostas para obter um ponto de equilíbrio.

Já não é necessário o peso proposto por um sistema que compõe custos para os recursos naturais, aos quais todas deveríamos ser amplamente abastecidas, por serem tão abundantes?

É anormal respeitar o espaço da outra pessoa. É raro que tenhamos o impulso de sustentar a flexibilidade do que é bom e justo para o maior número de pessoas possível. É atípico respeitar o tempo e as necessidades do outro. Inusitado demais, criar a consciência de que nem mesmo uma criança, que está registrada em um papel com meu sobrenome, pertença a mim. E se falamos em não pertencer, como adquirimos a um objeto, logo supõe-se se não é dona, não há cuidados, não há disciplina e nem maestria na condição de pessoa cuidadora.

Eu me sinto em paz com você.
Sinto que posso dividir minhas dores contigo.
Gratidão por não julgar quem eu sou.
Gratidão por ouvir, aquilo que eu tenho a dizer, eu estava precisando falar sobre isso.

Não é sobre ninguém e nem mesmo sobre alguém. Entretanto, a respeito de uma estrutura ensurdecedoramente desrespeitosa.

“Lugares”, para descansar do mundo, são urgentes.

Invocação da Alegria

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